Configurando interface de rede no Debian 9/10/11

Neste tutorial vamos aprender a configurar nossas interfaces de rede no Debian e estar pensando um pouco mais para fazer uma boa escolha na hora de realizar suas configurações.

Antes de mais nada você precisa saber o que você quer!? Qual será o cenário!? Vejo muitas pessoas cometerem um desastre nos dias hoje quando se trata em colocar um simples IP público em um servidor. E por isso escrevo este “artigo” meio que tutorial.

No Debian você pode configurar os endereços IPs bem como algumas regras no arquivo /etc/network/interfaces, irei levar como base uma instalação recém-feita.

Irei usar o editor nano que é o que já vem instalado, mas você pode usar o editor de sua escolha.

Se em sua instalação você informou o endereço IPv4 seu arquivo será algo como este, ressaltando que enp0s3 é o nome da interface, e ela pode ser outra.

Alterar DNS

Por mais que vimos dns-nameserver nesta parte da configuração de rede, o servidor não irá usa-los, o arquivo qual será levado em conta é o /etc/resolv.conf

Se sua instalação foi feita com DHCP ativo, sua configuração será:

E ai, o que queremos ?

Planejar, é claro! Se você esta montando seu data center onde terá vários servidores, o que será melhor adorar? Quebrar um prefixo /30 para cada servidor que eu for implementar? NÃO!. Quer me ver com os olhos sangrando é ver alguém que tem vários servidores e para cada servidor o mesmo quebrou um /30 público. Pense comigo você tem 2 servidores você precisa 2 IPs, se você quebrou 2 /30 você terá sim seus 2 IPs públicos mas você acabou de jogar no LIXO outros 6 endereços IPs, e nos dias de hoje 1 único IP publico é quase como o ditado: Em terra de cego, quem tem um olho é rei?

Então o que fazer, o mais sensato é você pensar e quebrar um prefixo maior para que você não precise estar quebrando prefixos a cada servidor. Antes de mais nada imagine onde você quer chegar! Quantos servidores irá montar, quantos IPs publicos e privados irá precisar… Sempre que dou uma consultoria essa é a primeira coisa faço, “sento” com o cliente e estudo. E com base neste estudo reservamos já um/dois prefixo /29, /28 ou 27 até mesmo um /24 público/privado, vai depender muito de cada cenário, se meu cliente tem milhares de hospedagem com certeza o número de servidores em seu data center é enorme.

Outro grande erro em servidores é o NAT mal aplicado! Muitas pessoas principalmente pessoal de provedor ainda tem costume de colocar em seu Mikrotik de borda um belo NAT para fornecer internet a um servidor, ou apenas para fazer um redirecionamento de portas. Quando aplicamos regras de NAT em um roteadores causamos muitos malefícios para o bichinho! Então vamos para de fazer isso? Vou lhe ajudar!

É claro que isso é muito relativo de cada empresa, já fiz NAT com borda? Já! Depende do tamanho da empresa e organização de cada um. Então não leve ao pé da letra! Estou tentando lhe dizer o que é o melhor a ser feito!

Já fui criticado por pedir para cliente comprar uma roteador para ser apenas o gateway dos servidores. “Rudimar é louco”. E eu digo: Mais louco é quem faz NAT em roteador de borda! . Em alguns casos eu recomendo um router para ligar os servidores, pois você pode ter diversos recursos na manga, e basta você fechar um iBGP/OSPF entre seu roteador de borda com seu roteador “data”.

Exemplos

Receber IP via DHCP

O mais simples a ser feito quando seu servidor ira receber IP automaticamente.

Fixando IPv4 e IPv6

Basicamente o que iremos usar em 95% das vezes

Adicionando Multiplos IPs

Quando quiser mais de um IP no mesmo servidor, caso for outras interfaces basta ajustar para o nome da interface

IP na Loopback

Eu particularmente não uso, (na grande maioria das vezes quando subo um /32 uso a interface wan) a não ser que meu servidor tenha um FRR rodando e tenha algum motivo, mas ai estaria fazendo a adição de IPs pelo FRR.

Ponto a ponto – Pointopoint

Aqui muitos ficam bugado, no meu cenário perceba que temos um servidor conectado ao roteador de borda, agora imagine, que neste roteador de borda não tem nenhum IP público por politicas de segurança, mas ai vem o estagiário e e te diz: Vamos quebrar um /30 pub! Então saiba que você não precisa fazer isso, você pode adicionar um IP ponto a ponto, onde temos IP diferente dos dois lados, então como no exemplo a baixo podemos add no nosso roteador de borda 10.50.50.1 e no nosso servidor 200.200.200.0.

Isso funciona? É claro! E você não irá precisar deixar seu roteador de borda com IP público acessível pelo mundo, e muito menos fazer um NAT! Como sou bonzinho vou deixar aqui como você configuraria isso no seu Mikrotikão! Ficaria assim:

Simples não?! Testa ai! Depois me conta!

Privado com saída em origem Público

Quase que como o exemplo do pointopoint, porem em alguns roteadores não temos o suporte para fazer pointopoint, uma saída é você quebrar um prefixo privado (estou usando /30, mas se tivesses vários servidores junto faria já um prefixo maior). No exemplo então meu IP público é o 200.200.200.200/32 qual irei colocar na mesma interface da WAN que tenho o 10.33.33.2/30, logo o roteador é o 10.33.33.1. Desta forma você tem uma conversa entre as interfaces por IP privado, porem os pacotes são originados com o endereço de IP público.

Mas ai temos um problema, seu servidor irá gerar os pacotes de origem publico, e irá enviar para internet, mas quando o pacote estiver voltando ao chegar em seu roteador de borda é necessário que você tenha uma rotá para o mesmo. Então crie um rota estática dizendo que Destino 200.200.200.200 o gateway é 10.33.33.2 IP este do seu servidor. Ex.:
Exemplo RouterOS:

É possível fazer isso para IPv6 também? É claro!

Exemplo RouterOS:

Criando VLAN e adicionado IP nela

Para adicionar um IP a uma VLAN precisamos carregar o módulo 8021q, e coloca-lo para iniciar com sistema.

Agora basta editar sua interface e incluir um ponto e o numero da VLAN. No exemplo VLAN 171

PBR – Roteamento baseado em políticas

Eu particularmente uso em Accel-ppp para separar o trafego de IPs publicos de Privados, direcionando apenas os IPs de NAT para a caixa do CGNAT. É necessário criar uma nova tabela de rotas, irei chamar de cgnat no exemplo.

Fecho um /30 entre router e servidor e digo que todos os IPs que 100.64.0.0./10 deve sair pela tabela de rotas com o CGNAT.

Blackhole

Normalmente útil em casos que você usa seu servidor como roteador. Você irá colocar após as configurações da interface o post-up passando o prefixo ou ip qual irá subir em blackhole

Considerações finais

Sempre que editar o arquivo /etc/network/interfaces para que as configurações sejam carregadas será necessário reiniciar seu servidor, você até pode subir a interface com auto ao invés de allow-hotplug, mas não irei abordar aqui.

Caso você queira adicionar/remover IPs manualmente (em memória/perde ao reiniciar) você pode usar o comando ip, segue exemplo, onde enp0s3 é o nome da interface.
Adicionar:

Visualizar:

Remover:

Espero ter colaborado com uma pequena parcela em seu conhecimento! Desculpa o português e as palavras faltando letras, é difícil conseguir tempo para vir aqui escrever e revisar, então abro meu “bloco de notas” e vou escrevendo…

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Abraço!

Rudimar Remontti

Trabalho atualmente como Gerente de Redes em um Provedor de Internet no Rio Grande do Sul.

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3 Resultados

  1. Paulo disse:

    Fiz o esquema do pointopoint funcionou top demais.
    Sabia fazer no MikroTik, mas faltava aprender fazer isso no GNU/Linux.
    Muito obrigado por compartilhar este conhecimento!

  2. Carvalho (ppcarvalhof) disse:

    Saberia me dizer se é possível, num servidor Linux (sou fã dos Debian), configurar somente o hostID estaticamente e manter o networkID do v6? Por exemplo, configurar a interface ens192 com o hostID ::c0ca/64 e, via SLAAC essa máquina “pegar” o 2001:db8:171::/64 e gerar o endereço 2001:db8:171::c0ca…

    E em relação a usar um /32 na loopback e, fazer um NAT no próprio servidor quando a conexão for para a Internet?

    Obrigado pelo post e pelo site!

  3. diego disse:

    point to point top.
    vou testar

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